segunda-feira, outubro 03, 2011

A “regulamentação realmente existente” da EC-29 (e como resistir à destruição do SUS)

Por Felipe Monte Cardoso – Médico de Família e Comunidade e Diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp

O Brasil é um país curioso: mesmo possuindo uma das mais avançadas legislações para o direito à saúde no mundo, este direito não existe de fato como uma totalidade (ou em caráter universal), senão através de experiências descontínuas e incompletas que não constituem o que o jargão da saúde coletiva chama de “rede”. Este fato pode ser evidenciado subjetivamente pelo mal-estar vivenciado pelo conjunto da população que usa plenamente o SUS (e não de modo seletivo, como faz ¼ dos brasileiros); ou objetivamente, ao se constatar que os principais indicadores de saúde brasileiros estão abaixo da média da América Latina.

Mais curiosa ainda foi o que se fez com uma bandeira histórica do movimento em defesa do direito à saúde: a Câmara dos Deputados, dominada pela coalizão do governo Dilma, aprovou uma regulamentação da Emenda Constitucional 29 (criada em 2000 para aumentar os recursos para a saúde) que conseguiu reduzir (!) as verbas para a saúde. O movimento social honesto, em especial aquele com relações mais próximas ao governo, está perplexo. Mas não deveria. A “regulamentação realmente existente” da EC-29 não é um raio em céu azul; é, antes de tudo, o corolário de um governo que se pauta, em primeiro lugar, pela defesa intransigente da ordem capitalista dependente brasileira – isto é, da defesa dos interesses do grande capital (em especial do rentismo), em detrimento do bem estar do conjunto da nação.

Não se pode, portanto, apenas responsabilizar a Câmara ou apostar todas as fichas na votação do Senado. Nem é preciso lembrar que a casa dirigida por José Sarney não tem grandes vocações para democracia no sentido lato. Os próprios líderes do governo (Romero Jucá) e do PT (Humberto Costa) na casa admitem que a regulamentação desejada pelo movimento social (10% da receita corrente bruta) “é inviável”. Conclui-se que a “regulamentação realmente existente” da EC-29 é a cara da política brasileira atual: mesquinha, injusta, hipócrita e profundamente antidemocrática (se entendemos democracia como um conjunto de direitos garantidos aos cidadãos de um país, e não o mero rito eleitoral). É preciso compreender os fundamentos deste caráter tão restrito da ordem política brasileira, onde não cabe o direito à saúde.

Subfinanciamento dos direitos sociais e o modelo de dependência externa

O fato de que o Sistema Único de Saúde é subfinanciado é admitido mesmo por todos os partidos e agrupamentos da ordem brasileira; existe um entendimento que o Brasil deveria gastar pelo menos 7% do seu PIB com o SUS (o atual patamar é de cerca de 3,5%). O que o bloco dominante da política brasileira (desde a coalizão do governo Dilma até a minoria tucana) jamais coloca em questão é que, em conjunto, é impossível financiar a totalidade dos direitos sociais dentro dos estreitos limites do nosso capitalismo dependente.

Para dizer de maneira objetiva: os 10% do PIB (R$ 367 bi) reivindicados pela educação, os pelo menos 7% do PIB para a saúde (R$ 257 bi) , outros tantos para a reforma agrária, mais uma bolada para a reforma urbana, superam em muito os atuais 12% (Carga Tributária Líquida – R$ 441 bi) que “sobram” para financiar os direitos sociais. Esta “sobra” significa 1/3 dos cerca de 35 % da carga tributária bruta (R$ 1,28 tri), isto é, do conjunto dos impostos arrecadados pela Nação. Qualquer pessoa que cuide das contas de casa perguntaria: onde está o restante?

A maior parte destes recursos é utilizada para pagar a dívida pública brasileira. Em 2010, R$ 635 bilhões (17% do PIB) foram gastos apenas com pagamento da dívida da União, exatamente o montante reivindicado pelos movimentos sociais de saúde e educação juntas.

Nunca é demais repetir que o caráter sacrossanto no pagamento da dívida pública é o principal nexo da dependência do Brasil em relação ao grande capital; ou seja, é a expressão do principal entrave à construção de uma ordem social justa. Que a legitimidade desta dívida seria posta em xeque com uma auditoria bem conduzida. Que qualquer governo comprometido radicalmente com a classe trabalhadora e do povo pobre enfrentaria essa questão (como de fato fez o governo equatoriano). Sendo assim, o fato de que os governos petistas (Lula e Dilma) tenham se constituído no principal fiador de nossa subordinação às vontades do grande capital neste início de século causam e ainda causarão estranheza nos movimentos sociais, pois aqueles possuem a aparência de governos promotores do bem-estar social. Esta aparência, porém, cai por terra no exato momento de concretizar as condições fundamentais para a implantação das políticas sociais universalistas tão necessárias ao Brasil.

O caso da saúde, assim, jamais pode ser visto de forma isolada. O fato da regulamentação da EC-29 não atender aos requisitos mínimos do financiamento do SUS deve ser compreendido dentro do compromisso da coalizão governista (e também da oposição de direita, PSDB-DEM-PPS-PV) com os fundamentos da política econômica: ajuste fiscal e utilização dos recursos públicos para o pagamento da dívida.

Sem compreender este mecanismo, o movimento social se torna refém da chantagem governista, que condiciona a regulamentação da EC-29 à criação de mais um imposto, a Contribuição Social para a Saúde (CSS). Esse debate é uma tática do governo para desviar a atenção da essência do problema, que é: enquanto o Brasil mantiver seus compromissos com grande capital, expresso, em especial, pelo pagamento religioso da dívida pública, o financiamento do conjunto dos direitos sociais não será resolvido.

A estrutura tributária brasileira e a CSS

Mesmo assim, vale a pena entrar brevemente no debate da estrutura tributária na qual a CSS seria “contra-hegemônica”. Um excelente estudo para se aprofundar na natureza da estrutura tributária brasileira é o documento “Sistema Tributário: diagnóstico e elementos para mudanças”, do Sindifisco Nacional.

Para efeitos deste texto, basta resgatar do documento alguns dados: o Brasil tem uma carga tributária semelhante à de países ricos (os 35% do PIB já citados), inclusive países campeões no quesito bem-estar social, como é o caso do Canadá. Porém, ao contrário destes países, os impostos arrecadados incidem muito mais sobre os mais pobres (na forma de impostos cumulativos sobre o consumo, por exemplo). Assim, a carga tributária é instrumento de concentração de renda, ao tirar mais dos mais pobres, agravada ainda pela principal destinação dada a ela: o já citado pagamento da dívida pública.

Neste sentido, é de se desconfiar da criação de mais um imposto (cujo caráter supostamente progressivo é posto em dúvida pelo fato de que milhões de brasileiros pobres que vivem na informalidade estarão ainda sujeitos a ele) sem a transformação profunda da carga tributária brasileira no sentido de um sistema mais justo. Ainda mais quando a proposta vem de um governo que no início deste ano promoveu cortes no orçamento social. Nada garante que o governo Dilma não faça como FHC, que desviou os recursos da CPMF da saúde.

Ainda assim, se novos impostos fossem criados, eles deveriam incidir diretamente sobre o grande capital (e não sobre uma parcela significativa dos assalariados, inclusive a chamada “nova classe média”, conforme prevê a CSS). Há um projeto na Câmara que prevê a taxação de grandes fortunas, e mesmo a taxação de remessa de lucros ao exterior. Mas eles não são postos em prática porque tanto a coalizão governista como a oposição de direita não tem como se esquivar de seus compromissos com o grande capital.

Lutar pelo SUS é lutar pelo seu caráter 100% público e estatal e pela ruptura com o atual modelo político e econômico

A despeito das atuais (e importantes) mobilizações pela regulamentação da EC-29, os movimentos sociais combativos não podem esquecer que existe um conjunto de ataques articulados ao SUS. Desde a recém-criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que privatiza os Hospitais Universitários Federais brasileiros, passando pela dupla-porta dos Hospitais paulistas e pelas Parceriass Público-Privadas de São Paulo à Bahia, chegando à aprovação da lei de Organizações Sociais no Rio de Janeiro. A privatização da gestão e do atendimento, que inclui a entrada da “nova classe média” no mercado de planos de saúde, é a política hegemônica de todas as frações do bloco que domina a política brasileira, independente de sua coloração partidária.

Dissociar a luta pelo financiamento da luta pelo SUS 100% público e estatal abre um precedente perigoso: mesmo se a EC-29 fosse aprovada nos moldes defendidos pelo movimento, no contexto de um SUS dominado por organismos privados (ainda que com verniz “estatal”, como a maioria das Fundações), esta aprofundaria uma das vulnerabilidades do SUS, que é o financiamento do setor privado pelo público. Onde se constata que a luta pela real implementação do SUS passa, igualmente, pela defesa deste contra os interesses privados na saúde e pela garantia de financiamento público ao conjunto de todos os direitos sociais.

Finalmente, superar a pulverização das lutas dentro da saúde e dentro dos movimentos sociais requer a compreensão de que o combate à atual ordem política e econômica é requisito fundamental para romper com as amarras que separam o povo brasileiro de suas maiores aspirações e enfrentar o bloco da ordem (polarizado por PT e PSDB), principal guardião político destas amarras.

Pode ser óbvio, mas há que se ressaltar que grandes problemas exigem grandes soluções. O financiamento dos direitos sociais não se concretiza sem enfrentar as grandes questões nacionais, que, por sinal, estão totalmente interligadas. A questão do financiamento dos direitos sociais exige a auditoria imediata da dívida pública, que é barrada sistematicamente pelo bloco da ordem.

Por isso, urge fazer oposição conseqüente, mas decidida, aos governos que retiram direitos, privatizam os serviços públicos, implementam medidas antissociais, cooptam e/ou reprimem os movimentos sociais e avançam na destruição do meio ambiente. A articulação desta totalidade de lutas será mais um passo na retomada dos ideais da Reforma Sanitária, que compreendia que a questão da saúde só pode ser resolvida com profundas mudanças em nossa sociedade extremamente desigual.

quinta-feira, setembro 29, 2011

REUNIÃO PSOL-BOTUCATU

Haverá reunião do núcleo PSOL-Botucatu no dia 05 de outubro de 2011 (quarta-feira), as 19:00 horas, na rua Cav. Mansueto Lunardi, 384, Vila Nova Botucatu (rua da escola CEVILLA). A reunião é aberta a todos os interessados, não sendo permitida a presença de pessoas filiadas a outros partidos políticos.
Informações: Maha: 8152.5865 (tim), Bilo: 9706.9146 (vivo) 

quinta-feira, setembro 22, 2011

REUNIÃO PSOL-BOTUCATU

A próxima reunião da executiva municipal do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-Botucatu), ocorrerá no dia 28 de setembro de 2011, as 19:00 horas, na rua João Passos, 919, Centro, Botucatu-SP.
Contatos: 8152.5865 (tim) - Maha

sábado, setembro 03, 2011

Aprovado na Câmara, Pronatec beneficia a iniciativa privada e não dá acesso à educação de qualidade


O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) – Projeto de Lei 1209/2011 – foi aprovado na Câmara dos Deputados, com voto contrário do PSOL, que defendeu para a juventude brasileira o direito ao ensino técnico e profissionalizante público, gratuito e de qualidade.
De acordo com o deputado Ivan Valente, a proposta do Pronatec já começa errada ao ir contrariamente a uma das decisões da Conferência Nacional de Educação, que deliberou contra a transferência de recurso público para o setor privado. Bilhões de reais devem ser repassados, inclusive com abertura de linhas de crédito pelo BNDES, a entidades privadas, sem definição de critérios de repasse quanto à qualidade do ensino a ser oferecido.
Além disso, o projeto não esclarece de onde provirão os recursos para o custeio do programa – o que deixa claro que o Executivo pode passar por cima de normas de compatibilidade financeira, mas propostas do Legislativo acabam sendo barradas. Sob a justificativa de ampliar o acesso à educação profissional para jovens do ensino médio e para trabalhadores sem formação, o Pronatec mostra-se como uma proposta de privatização e mercantilização da educação.
Na opinião de Ivan Valente, o Pronatec é um ProUni. “Sobre esse projeto pesam os mesmos problemas que vimos na discussão do ProUni. Em nome da expansão do ensino superior público, abriu-se uma enorme brecha de isenções fiscais para escolas particulares que estavam inadimplentes. Ou seja, transferência de recurso público para o setor privado ao invés de expandirmos a rede de ensino superior público com qualidade, ensino, pesquisa e extensão. No PRONATEC, o raciocínio é semelhante, só que há mais questões envolvidas, porque, além da isenção fiscal, existem as bolsas pra serem concedidas”.
O PL 1209 ainda será debatido no Senado.

quinta-feira, setembro 01, 2011

25/08/2011 - 16:43 Privatizações avançam fortemente com a aprovação de projetos na Câmara


Após o Plenário da Câmara ter aprovado, na terça feira, a Medida Provisória 532, que avança na privatização dos Correios, comissões aprovaram dois projetos de lei que privatizam outros setores importantes: a previdência dos servidores públicos e o ensino técnico.
Nesta semana, três comissões (Constituição e Justiça; Educação; e Finanças e Tributação) aprovaram o Projeto de Lei 1.209/2011, que institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Este Programa prevê a destinação de recursos públicos para instituições privadas de Ensino Técnico, sem a garantia da qualidade deste ensino, como já ocorre hoje no ProUni. O artigo 8º do PL, por exemplo, prevê o repasse de recursos públicos para entidades privadas, enquanto o artigo 20 transforma oSistema S em integrante do sistema federal de ensino. Desta forma, poderão ser destinados recursos públicos a este sistema sem a necessidade de convênio, ou seja, sem controle.
Agora, o PL segue para votação no plenário e depois para o Senado.

Privatização da previdência dos servidores públicos
Enquanto isso, a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou, por 13 votos a 7, o PL 1992/2007, que privatiza a previdência dos servidores públicos. Ainda resta a votação de destaques (propostas de alteração do texto) e a votação em outras comissões da Câmara e Senado.
Este PL completa a reforma da Previdência de Lula de 2003, que já previa a limitação da aposentadoria dos futuros servidores ao teto do INSS (atualmente de R$ 3.689,66), e que vem perdendo valor nas últimas décadas. Para receber mais, os servidores terão de contribuir para um fundo de pensão na modalidade “contribuição definida”, ou seja, onde se sabe o valor da contribuição, mas não o do benefício de aposentadoria, que dependerá do rendimento das aplicações de tal fundo no incerto mercado financeiro.
O PL ainda define, em seu artigo 15, que a gestão destas aplicações ficará a cargo de grandes instituições financeiras, principalmente os bancos privados, os verdadeiros beneficiados com a proposta.
Além disso, o governo pode induzir o conjunto dos atuais servidores a também aderir a esta nova modalidade de aposentadoria, por meio de instrumentos já praticados atualmente, como a quebra de paridade, ou seja, a não-extensão de reajustes aos servidores inativos e pensionistas, que mina a confiança dos servidores no atual sistema.
O governo e analistas neoliberais justificam o PL 1992 com argumentos altamente questionáveis, tais como um suposto “déficit” da previdência dos servidores, que estariam consumindo cada vez mais recursos. Porém, o gasto com inativos e pensionistas do setor público federal vem caindo, de 2,14% do PIB em 2002 para 1,99% do PIB em 2010.
Esta alegação de “déficit” não procede, dado que a garantia da previdência do servidor é obrigação do Estado. Além do mais, nas últimas décadas o setor público sofreu redução no número de servidores ativos, devido à insuficiência de concursos públicos. O número de servidores ativos do Poder Executivo em 2010 ainda era menor que 20 anos atrás, em 1991.
Caso este número tivesse ao menos acompanhado a evolução do PIB (Produto Interno Bruto) do período, tal alegado “déficit” não existiria, mesmo pela metodologia equivocada de se comparar contribuições com benefícios.

sábado, agosto 20, 2011

PSOL vota contra a proposta que privatiza os Correios

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira 17, a Medida Provisória 532/2011, mas ainda há destaques para serem votados, que só serão apreciados na próxima semana. A MP 532 é mais uma proposta do governo federal recheada de penduricalhos, já que trata da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da estrutura da Presidência da República.

O PSOL votou contra a MP, que sob o disfarce de modernização dos Correios pretende, na verdade, a privatização. Para o líder Chico Alencar, transformar a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em sociedade anônima é permitir um “poder suspeito” às subsidiárias e, consequentemente, permitir a privatização.

“Esta é a noite [quarta à noite] do pântano enganoso do discurso. Nós, desde quando éramos do PT — lá se vão alguns anos, uma década — , entendíamos que era estratégico para o desenvolvimento nacional a empresa pública, estatal, controlada socialmente e não manipulada em loteamento de cargos para fazer dela como se fez dos Correios já na era Lula, um balcão de corrupção, ofendendo os trabalhadores dos Correios. Sempre tivemos essa posição e não aceitamos que o PT, ou pelo menos parte dele agora adota, diga que tem de modernizar, que esconde o intuito de privatizar”, disse Chico Alencar.

Segundo o deputado, o assunto deveria ser discutido na forma de projeto de lei, sendo analisado pelas comissões temáticas da Câmara, e não com medida provisória, imposta pelo governo federal.

Para o deputado Ivan Valente, o que o governo pretende fazer com os Correios é a mesma coisa que aconteceu com a Telebras, que foi privatizada e a melhor parte ficou com empresas. “Aqueles que a compraram ficaram com o filé e o Estado com o osso”, resumiu. Para ele, o assunto é amplo, pois envolve prestação de serviços e condições de trabalho dos funcionário dos Correios.

“Faz-se um discurso de oferecimento de maior gama de serviços, diminuição de custos logísticos, ampliação de postos de trabalho, quando, na prática, nós vamos ter uma perda de qualidade de serviços prestados, precarização do trabalho, dos trabalhadores e das suas condições, introdução de jornadas atípicas, que já vêm acontecendo em meio período por hora e outras questões que rebaixam os salários dos servidores e as garantias sociais. Defendemos os Correios 100% estatal e a defesa dessa empresa, que é um orgulho do povo brasileiro”, disse Ivan Valente

ANP – A medida provisória 532 também determina a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fiscalização e a regulamentação do setor produtivo de etanol, antes considerado um subproduto agrícola. A ANP passa a operar na fiscalização, comercialização, estocagem, exportação e importação do etanol. Também permite que a mistura de álcool anidro na gasolina seja de 18% no mínimo e de 25% no máximo – antes, a marge era entre 20% e 25%.

A medida provisória alterou ainda a estrutura do Ministério do Planejamento, aumentando de sete para oito as secretarias específicas.


quarta-feira, agosto 17, 2011

Todos às ruas contra Belo Monte

No dia 20 de agosto, sábado, o Brasil vai às ruas para protestar contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Em São Paulo, a concentração para o Ato será a partir das 13 horas no Vão Livre do Masp na Avenida Paulista.
O projeto Belo Monte é um exemplo cabal de ineficiência energética (produzirá, em média, apenas 39% da eletricidade que promete), é absurdamente caro (cerca de R$ 30 bilhões, dos quais 80% são dinheiro do povo, a ser desembolsado pelo BNDES), e foi imposto pelo governo através de um processo brutal de sucessivas violações da legislação e da Constituição nacionais, e de acordos e tratados internacionais.
Acima de tudo, porém, o projeto de Belo Monte vai arrebentar com a vida dos povos, da fauna e da flora do Xingu, destruindo e secando parte de um dos mais belos e ricos rios do mundo, e transformando a região em terra arrasada. Não é à toa que Altamira foi campeã de desmatamento nesse primeiro semestre.
As máquinas já estão escavando o solo nas cercanias das barrancas do Xingu, mas não é tarde para silenciar seus motores! Unido, o povo brasileiro dirá ao governo o que pensa de Belo Monte!
Até agora, temos noticias de que Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Recife, Brasília, João Pessoa, Porto Velho, Belém e Santarém protestarão contra a usina. Outras cidades devem se juntar a essa corrente até o dia 20.
Mundo afora, manifestantes demonstrarão sua solidariedade com os povos do Xingu no dia 22, em frente a embaixadas e consulados brasileiros. Até o momento, ha confirmação de protestos na Austrália, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Iran, Holanda, Portugal, Escócia, Taiwan, Turquia, Estados Unidos, México e País de Gales.

Militantes do PSOL-SP lançam setorial LGBT na quinta-feira, dia 18

Os militantes LGBT do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do estado de São Paulo promovem na quinta-feira (18) o lançamento do setorial LGBT do partido. O evento será realizado no auditório Teotônio Vivela, na Assembleia Legislativa a partir das 19h. O deputado estadual Carlos Gianazzi, o deputado federal Ivan Valente, entre outras figuras públicas do partido, estarão presentes para saudar a iniciativa. O lançamento será aberto ao público.

Fundado em 2004, o PSOL é conhecido desde suas origens pela defesa intransigente dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais. Em 2010, o partido elegeu o primeiro deputado federal assumidamente homossexual e defensor das causas dessa população, o professor baiano Jean Willys (RJ). Paralelamente, o candidato a Presidência da República Plínio Arruda Sampaio, também foi pioneiro ao defender o casamento civil igualitário entre pessoas do mesmo sexo em seu programa político. No mesmo ano, o PSOL foi o primeiro partido a exibir, em pleno o horário nobre, um beijo gay na propaganda eleitoral.
Diante do recrudescimento da violência homofóbica em todo o país nos últimos meses, o PSOL não ficou de braços cruzados. Sua militância foi às ruas, para defender a criminalização da homofobia nos quatro cantos do Brasil. Em Brasília, a bancada do partido no Congresso Nacional foi a única a denunciar a conduta homofóbica do Deputado Federal Jair Bolsonaro (PP) à Comissão de Ética da Câmara. Em São Paulo, o projeto de lei da autoria do Deputado Estadual Carlos Gianazzi, que transformou o dia 17 de maio em Dia Estadual de Luta Contra a Homofobia, finalmente foi aprovado após 4 anos de tramitação, marcando uma grande vitória do movimento LGBT sobre os setores conservadores do legislativo paulista.

Para coroar esta trajetória de lutas pelo respeito à diversidade sexual, a militância LGBT do PSOL São Paulo, virá a público para apresentar ao conjunto do partido, dos movimentos sociais e da sociedade civil a criação deste espaço de discussão democrático, socialista e libertário, que deverá potencializar ainda mais a luta do PSOL pelo fim da discriminação homofóbica.

Reunião


Próxima Reunião ordinária:
Dia: 27/08/2011- Sábado
Faremos o grupo de estudos das 14 as 15hs sobre Rosa Luxemburgo
Local: Demétria: Rua gastão dal farra s/n
Combinamos as 14 horas na entrada da demétria para seguirmos juntos até o local da reunião.

terça-feira, agosto 02, 2011

PSOL-BOTUCATU PARTICIPA DE MANIFESTAÇÃO NA REGIÃO


A FORÇA VEM DO POVO


Na segunda-feira do dia 25/07 tivemos o prazer (Vanessa e Gustavo/Bilo) de estar presente em Lençóis Paulista para uma passeata de manifestação em repudio ao comportamento lamentável do legislativo daquela cidade.

Ocorre que, após algumas denuncias de uso indevido (particular) de carros oficiais e de troca de favores por cargos de comissão, houve uma votação na Câmara para se decidir sobre a instauração de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). Nesta, apesar de contar com mais de um terço (04) dos votos a favor da CEI, o presidente da câmara se recusou a instaurá-la, sob a alegação de haverem dúvidas sobre a legitimidade do ato, pois este não estava de acordo com o regimento interno da Câmara. Essa pífia justificativa se sobrepôs, inclusive, ao que determina nossa Constituição!

Em razão da forma como foram tratados os interesses da população, foi organizada esta manifestação, cuja qual se destacou e se diferenciou por ser a primeira a ocorrer na cidade e por contar com a participação de várias pessoas, mais de 100 (cem), inclusive com companheiros do PSOL de outros municípios, como Bauru, Botucatu (nós) e Campinas.

A passeata teve inicio na praça central (biblioteca) da cidade e se dirigiu à Câmara dos Vereadores entoando palavras de ordem, de indignação e de justiça, buscando uma explicação para tamanha falta de respeito com o população local. Após alguns instantes em frente à câmara resolvemos entrar na sessão, nos colocamos em pé, de costas para os vereadores e de frente para as pessoas presentes, convidamos todos a fazerem o mesmo e então batemos palmas e cantamos pela vergonha que os vereadores deveriam estar sentindo, pois era o que sentia a população. Depois das palmas nos retiramos pacificamente, nos reunimos do lado externo para novamente conversar e tornamos a entrar para então assistir ao restante da sessão em silêncio.

Foi muito estimulante poder encontrar, conversar e atuar junto à população e com nossos companheiros partidários, na luta por uma postura política mais ética e transparente. É importantíssimo que a Câmara dos Vereadores saiba que o povo de Lençóis está atento ao que estão fazendo ou deixando fazer, bem como sobre sua discordância de interesses. Parabéns comunidade de Lençóis Paulista!! Parabéns camaradas presentes!! Parabéns a todas as pessoas que se importam, acreditam e fazem algo por uma mudança de consciência, pois sabemos que sem esta, qualquer outra transformação se torna inatingível.


Vanessa e Gustavo – militantes do PSOL Botucatu.